sexta-feira, 6 de maio de 2016

A geração que trata tudo como descartável

Oi, gente! Como vocês estão? Há pouco tempo lendo O Estadão eu descobri a coluna da Ruth Manus. Sabe quando você não consegue mais parar de ler? Pois é! Comigo foi assim. Não precisei ler mais de um texto pra me tornar uma admiradora do texto, do trabalho e das ideias da Ruth. Toda vez que tem alguma coisa nova por lá, eu corro pra ler.
O texto dessa semana me fez refletir bastante. A autora escolheu falar sobre o quanto a nossa geração gosta de coisas descartáveis. O mais triste é que até aquilo que nos faz mais felizes e completos como ser humanos, isto é, os nossos relacionamentos, nós temos tratado como coisas que podem ser jogadas fora quando não nos servirem mais. Amigos, colegas de trabalho e etc. É por isso que somos geração vazia. Vazia e triste. E a única forma de mudar isso é entender que as aparências e a superficialidade nunca vão nos satisfazer.

Nós fomos feitos para a plenitude. Para viver por completo. Buscar isso todos os dias é o que deve dar significado à nossa existência. O texto fala por si e eu vou deixá-lo aqui para vocês. Antes do texto, só tenho a desejar que sejamos profissionais completos, cônjuges felizes, amigos fiéis, pais que amem de verdade seus filhos, pois assim, seremos felizes e deixaremos um legado que vale a pena pra este mundo.


RUTH MANUS
04 Maio 2016 | 11:00

Coisas. Pessoas. Ideias. Amores.



(Ok, eu sei que essa é a terceira vez que eu uso a palavra “geração” num título de texto. Desculpem, eu juro que fui ao dicionário buscar sinônimos e não achei nada equivalente. Porque percebo que há em mim, nos meus amigos, irmãos e primos, algo que não há nos meus pais, tios, avós e sobrinhas. Sou dessa fatia do meio. Olho para ela, vivo suas angústias, convivo com ela. E talvez eu deva assumir de uma vez que o termo “geração” ainda vai aparecer outras vezes nos meus textos, sem que eu precise passar horas pensando em vocábulos alternativos.)
*
Foi com a minha geração que começaram a surgir as primeiras fraldas descartáveis. Foi nas nossas festas de aniversário que começaram a aparecer copos de plástico, garfos de plástico e pratinhos de papelão. Fomos os que começaram a levar suco em caixinhas para a escola, ao invés de precisar trazer a garrafa de volta para casa. E assim fomos aprendendo a viver uma vida descartável.
Os brinquedos iam e vinham. Tudo plástico. Não aprendemos a tomar cuidado, como foi com nossos pais e seus bonecos de porcelana. Caiu, caiu, sujou, sujou. Riscamos brinquedos com canetinha. Já já vinha um novo.
Fomos crescendo e o raciocínio não mudou muito. Não víamos muito sentido quando nossos pais falavam em costurar a mochila ao invés de comprar uma nova. Os preços dos produtos chineses já nos guiava para o consumo do novo e não para o cuidado com o velho.
O problema já seria grave se ele tivesse ficado apenas nas prateleiras de lojas e supermercado. Já seríamos perigosos o suficiente em termos ecológicos. Mas o raciocínio do descartável foi muito além dos bens de consumo.
Somos a geração dos relacionamentos descartáveis. Dos empregos descartáveis. Das paixões descartáveis. Das ideias descartáveis. Dos amigos descartáveis.
Até temos alguns amigos da vida inteira, sim. Para os quais costumamos não ter muito tempo na agenda. Mas temos sempre amigos novos. “Me adiciona no feice”. Adoro a fulana. Ela é fantástica. Estive com ela 2 vezes. Ih, ela apagou o facebook. Dois dias depois já nem lembro da fulana. Uma mina aí que eu conheci não sei onde.
Sentamos no bar, temos ideias fantásticas, começamos a debater e- espera, chegou um whatsapp aqui- que que a gente tava falando mesmo? Sei lá. As ideias não são concluídas, não são escritas num papel, não viram palavras. São, como de costume, descartadas junto com os guardanapos sujos na mesa.
Descobrimos novas bandas. Eu AMO essa banda. Ouço ininterruptamente por 7 dias. Falo para todo mundo que é a melhor banda do mundo. No oitavo dia, enjoo. Descarto. Vou procurar a próxima.
Entramos no estágio. Aparece uma viagem no verão. Pedimos as contas. Comprometimento? Ah, eles encontram outro estagiário logo. Somos contratados para um emprego. Seis meses depois aparece uma proposta que paga um pouco mais. Sei que eles contam comigo até o fim do ano, mas tenho que cuidar dos meus interesses. Meus planos. Minha vida. Eu, eu, eu. Contratos de trabalho descartáveis.
E os relacionamentos… Ah, os relacionamentos, nem se fale. Pessoas passaram a existir para preencher agenda. Se eu não tiver nada melhor para fazer, ligo para ela.
Quero você. Não quero mais. Quero você. Mas não quero me envolver. Quero você. Desde que você não me cobre. Quero você como eu quero. Queria você. Agora quero outro. Te quero de novo. Me enganei, não queria não. Noite na balada, namoro, noivado, casamento. Tudo descartável.
Pessoas viraram bitucas de cigarro. Ideias viraram copinhos de café. Paixões viraram post-it.
Somos das carreiras que nos consomem. Achamos que nosso corpo é descartável. Falta sono, sobra álcool. Achamos que o afeto pelos nossos avós mora no post de uma foto que será apagada ou esquecida. Não temos tempo para ouvi-los. Mudamos de amores como quem muda de ideia, mudamos de ideia como quem muda de roupa.
Somos a geração do raso, da água pelas canelas. Não mergulhamos fundo. Não sabemos o que é profundidade. Livros curtos, conversas rápidas. Fluidez. A gente acha que é rocha, mas a gente é gelo. E derrete, evapora, desaparece. Uma geração que trata tudo como descartável e que termina por ser, ela mesma, tão descartável quanto uma garrafa pet. Com a diferença de que a garrafa será reciclada e nós… Nós deixaremos algumas selfies como legado.

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