terça-feira, 17 de maio de 2016

Ele catava latas com a avó para ir treinar

Quem vê Wallace Fortuna dos Santos marcando os grandes astros do futebol mundial na Uefa Champions League e vestindo a camisa da seleção brasileira olímpica não sabe tudo o que o zagueiro de 21 anos passou até chegar ao Principado e ao Monaco, clube que defende hoje, após rápidas passagens por Cruzeiro e Braga, de Portugal.

De família humilde, o fluminense de Duque de Caxias teve que dar seus pulos na infância para juntar um dinheirinho e pegar o ônibus para treinar no Tigres do Brasil, clube no qual fez categorias de base. Quem lhe ajudou foi a avó, dona Maurília, que criou Wallace para o mundo.
Dona Maurília faria qualquer sacrifício para que o garoto pudesse realizar o sonho de jogador. E é a ela que o defensor agradece toda vez que entra em campo, hoje como profissional.
"Quando comecei a jogar, era muito difícil ter dinheiro para passagem de ônibus, pois estavam todos desempregados, e, com isso, não dava para ir aos treinos. Foi aí que minha avó resolveu andar pela rua para pegar latinhas e garrafas e vender para reciclagem. Ela fez um esforço enorme para eu continuar jogando, porque chegou um momento que estava ficando sem condições, e eu cheguei a pensar em parar", lembra, ao ESPN.com.br.
Só que Wallace não sabia que a avó estava na luta por um dinheiro extra. Quando descobriu, ficou surpreso e resolveu que não iria deixar dona Maurília sozinha.
"Ela fazia tudo escondido, a gente não sabia de nada. Eu treinava no Tigres de manhã, voltava para casa umas 14h e ela nunca estava. Aí eu perguntava: 'cadê a vovó?', e ninguém sabia. Ela chegava só de noite e com o dinheiro para eu treinar. Comecei a ficar desconfiado e resolvi ir atrás para descobrir o que estava acontecendo", conta.
"Estava passando pela rua e vi minha vó pegando latinhas. Perguntei: 'é daí que a senhora está tirando o dinheiro?'. Ela disse que sim, e que não tinha contado antes porque ela temia que eu não fosse deixá-la trabalhar, e aí a gente ficaria sem dinheiro e eu teria que desistir de ser jogador. Eu falei: 'A partir de hoje, eu vou ajudá-la'. E fomos nós dois pegar latinhas todo dia para conseguirmos um dinheirinho", relembra.
A situação melhorou quando o zagueiro assinou seu primeiro pré-contrato com o Tigres. Ao receber um salário pela primeira vez, perguntou o que a avó queria. Mas, como sempre, dona Maurília só queria ver o neto feliz.
"Chegou meu primeiro salário e perguntei o que ela queria de presente. Ela disse que não fazia questão de nada, que queria me ver feliz e me mandou comprar uma coisa para mim. Aí fui e comprei uma bicicleta, que todo mundo em casa usava", relata.
O bom futebol do atleta de 1,91m chamou a atenção do Cruzeiro, que o levou para a Toca da Raposa em 2011. De cara, deixou ótima impressão atuando pela equipe sub-20 celeste, conquistando o Campeonato Brasileiro da categoria em 2012.
Foi aí que Wallace viu a chance de retribuir um pouco de tudo o que a avó fez por ele.
"Ela nunca tinha andado de avião, falava que era muito caro e tinha medo. Daí surgiu uma primeira oportunidade dela ir a Belo Horizonte para me ver jogar. Ela bateu o pé e disse que ia de ônibus, mas eu não deixei (risos). Meu primeiro presente para ela foi a passagem de avião para ela ir para Minas. No fim, ela adorou (risos). Ficou super contente, tirou foto de tudo, adorou", conta.
Hoje, dona Maurília já está acostumada ao avião. Vez ou outra, embarca rumo à Europa para ver seu neto jogar pelo Monaco, clube que ele defende desde 2014, quando chegou do Braga, de Portugal. Até hoje a vovó se emociona quando vê seu "pequeno" Wallace em campo.
"Agora ela tomou gosto pelas viagens, vem para Monaco algumas vezes. Ela me disse que o maior presente da vida dela foi me ver jogando pela televisão, disse que ficou tão emocionada que quase passou mal. Foi um Cruzeiro 2 x 0 América-MG, até hoje ela comenta. Hoje ela diz estar acostumada, mas aquela vez foi especial", comenta.
O próximo sonho da vovó guerreira é ver o defensor representando o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Ele faz parte das seleções de base desde o sub-20, e esteve em todas as convocações recentes da equipe sub-23, inclusive a última, ao lado de Dória, Rodrigo Caio e Rodrigo Ely.
"Toda vez que vão chegando as convocações da seleção olímpica ela fica agoniada e me liga dizendo que está orando. Ela sempre fala: 'Wallace, você é um menino de ouro e precisa estar lá' (risos). Uso isso como motivação", diz.
Toda vez que se lembra de Dona Maurília, aliás, Wallace se emociona. Na entrevista, ele faz questão de mandar um recado à avó, celebrando tuda a sua ajuda até hoje.
"Vó, quero agradecer demais tudo o que a senhora vez por mim durante toda a minha vida. Tenha certeza: de tudo o que aconteceu e irá acontecer ainda na minha vida, sem a senhora nunca seria possível. Nós conseguimos, vó! Isso que eu mais gosto de dizer para a senhora: nós conseguimos", comemora o jogador...
Fonte: http://espn.uol.com.br/noticia/599373_ele-catava-latas-com-a-avo-para-ir-treinar-hoje-mora-no-principado-e-joga-a-champions 17/05/2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante para nós. Deixe um recadinho! Beijos

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...