terça-feira, 19 de janeiro de 2016

'Educação é tesouro que levei da cadeia', diz inocentado

Olá Galera, tudo tranquilo?

Já cometaram alguma injustiça contra você? É bem provável que sim, comigo ocorreram algumas vezes, e o sentimento que mais aflorou no momento foi indignação, em ocasiões como essa a gente acaba esquecendo que diariamente todos sofrem algum tipo de injustiça e as vezes até piores a que passamos. Este foi caso Nick Yarris que foi preso injustamente por 23 anos quando ainda era um jovem de 20 anos. Leia na integra a reportagem:

Nick Yarris tinha 20 anos quando foi condenado à morte nos Estados Unidos por um crime que não cometeu. Ele passou 23 anos em confinamento solitário e afirma que foi torturado.
Com a ajuda de um carcereiro que o emprestou livros, Yarris usou educação como terapia contra agressividade.
Sua vida tornou-se um sofrimento tão grande que chegou a pedir que fosse executado, mesmo sabendo que era inocente.
Há 11 anos ele foi libertado graças a avanços na técnica de identificação por DNA – e, agora, diz sentir-se agradecido pela experiência que teve na prisão.
Longe de ter ressentimentos, Yarris viaja pelo mundo falando sobre como a passagem pelo sistema carcerário o ajudou a ser uma pessoa melhor.
O americano, cujo caso é relatado no documentário Fear of 13 ("Medo do 13", em tradução livre), falou com o programa Newshour , da BBC.
Ele contou como passou os primeiros anos de sua pena preso numa cela de isolamento, sem poder falar. "Eu não sabia o que era raiva até então. Batia minha cabeça na parede de raiva e frustração", disse à BBC.
"Foi só por causa da amabilidade e da compaixão de um carcereiro que me deu alguns livros e me ajudou a ler que mudei tudo e parei de ser amargo ao longo dos anos."

Terapia de palavras

Yarris afirma que a educação a que teve acesso na prisão mudou sua vida. Ele era um homem de muito poucos recursos quando entrou na prisão em 1981, acusado de violentar e matar uma jovem no Estado de Pensilvânia.
Ele foi preso pela polícia ao dirigir um carro roubado sob o efeito de anfetaminas.
Em uma tentativa de escapar da prisão, disse aos policiais que sabia quem tinha matado a jovem, de cuja morte ele ficou sabendo pelos jornais.
Mas a estratégia deu errado quando as autoridades descartaram o suposto o homem apontado por Harris como suspeito e o acusaram. "(Quando recebi a sentença) era o aniversário de 50 anos da minha mãe, e o juiz não conseguia me olhar nos olhos, porque ia me condenar."
"Isso me deixou com muita raiva. Eu queria que ele me respeitasse. E cometi o erro de mandá-lo ir para o inferno quando ele proferiu a sentença. Os guardas foram brutais comigo", relembra.
Segundo Yarris, sua falta de conhecimento na época limitou suas possibilidades de provar a própria inocência. "Eu tinha um jeito de falar horrível e zombavam de mim. Foi muito difícil me defender sem poder falar bem". relembra.
Por isso, ele acabou usando o tempo na prisão para melhorar sua educação, seu vocabulário e seu domínio da língua – enquanto pensava em uma maneira de sair de lá.
O nome do documentário, "Medo do 13", faz referência à palavra triscaidecafobia – medo irracional do número 13 –, uma das palavras que Yarris aprendeu em seu projeto de educar a si mesmo.

10 mil livros

"A estrutura que construí através do 10 mil livros ou mais que li nos 23 anos que passei em confinamento solitário se tornaram a base de uma fundação que é indestrutível para mim", diz o ex-condenado, hoje com 53 anos.
Da prisão ele também levou outro aprendizado, que diz considerar ainda mais valioso. "O tesouro que eu levei de lá não foi ouro, mas sim o belíssimo conhecimento que adquiri sobre mim mesmo e uma educação maravilhosa. Nesses meus 11 anos de liberdade, consegui mais do que jamais sonhei", afirma, emocionado.
Desde que deixou a prisão, ele dá palestras contando sua história, para "deixar uma mensagem para os mais jovens sobre como a educação pode empoderar alguém".
E também pede que as pessoas escrevam cartas para prisioneiros no corredor da morte.
Ele escreveu dois livros de memórias e vive na Inglaterra com sua esposa, que conheceu enquanto estava na prisão.
Mas Yarris também reconhece que a experiência negativa que viveu o marcou para sempre. "Ainda vivo com 11 ossos quebrados que não se curaram totalmente, dois discos quebrados no pescoço, meu rosto foi destroçado e me falta parte do olho esquerdo. Vivo em agonia física todos os dias da minha vida."
"Não há leis que possam compensar o que fizeram comigo, mas não serei uma vítima disso, porque isso desconsidera as minhas ações."
Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/educacao-e-tesouro-que-levei-da-cadeia-diz-homem-inocentado-apos-23-anos-de-prisao,d6d3916055e9dd3a2d83da20ef178057kb8vn3cv.html 19/01/2016




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante para nós. Deixe um recadinho! Beijos

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...