segunda-feira, 27 de abril de 2015

Casal de médicos abre hospital que cobra R$ 10 por consulta e R$ 500 por cirurgia

O cirurgião Atul Varma e a oftalmologista Jayashree Shekhar estão conseguindo derrubar a ideia corrente de que só os ricos conseguem tratamento de saúde de qualidade na Índia.

 O país gasta apenas 1% de seu PIB na saúde, um dos menores índices no mundo. Consequentemente, o gasto dos indianos com a saúde privada corresponde a 69% do total de despesas domésticas, um dos mais altos no mundo. Milhões de indianos são levados à falência pelo alto preço dos tratamentos.

Apesar de o governo oferecer saúde pública gratuita, somente 22% da população rural e 19% da população urbana frequenta os ambulatórios estatais.

 A proporção de um médico para cada 18 mil pacientes faz com que os profissionais estejam sempre exaustos e os pacientes desconfiem do atendimento. É difícil para os mais pobres conseguir o reembolso do valor de consultas e procedimentos através de seus modestos planos de saúde estatais sem pagar propina.

Além disso, cerca de dois terços dos medicamentos no mercado são falsos, segundo estimativas.

Há sete anos, o casal de médicos voltou a seu Estado natal depois de trabalhar em outras partes da Índia e também em outros países. Varma trabalhava em um hospital público antes de decidir, juntamente com sua mulher, abrir o hospital popular.
O casal fez um empréstimo no banco para comprar um antigo edifício escolar – a escola havia mudado para um local próximo – e transformá-lo em um hospital de 334 metros quadrados e 12 leitos, que abriu no ano passado.

Eles cuidaram de cada detalhe: um consultório espaçoso, um centro cirúrgico limpo e funcional, instalações elétricas à prova de fogo, uma farmácia, colchonetes d'água para manter o local fresco no verão e um sistema de ventilação que mantém o local arejado.

 A clínica cobra 200 rúpias (cerca de R$ 10) por consulta e entre 8.000 e 12 mil rúpias (R$ 410 a R$ 616) por cirurgias. É uma pequena parte do que os outros 500 centros de tratamento de Hajipur cobram de seus pacientes.

Dois orientadores psicológicos treinados conversam com os pacientes e os "educam" sobre suas doenças.

Desde que foi aberto, o Hospital Aashtha já tratou pacientes que vão de um bebê nascido sem o reto até um homem de 108 anos que precisava de uma cirurgia de próstata.

No mesmo bairro, o casal de médicos administra outras clínicas, que oferecem tratamento de baixo custo a pacientes todos os dias.

O fornecimento de água e de eletricidade é cortado com frequência – a falta de luz é comum e um gerador a diesel é usado como substituto.

O casal leva mais de uma hora e meia para completar a jornada de apenas 18 quilômetros de sua casa, na cidade de Patna, até o hospital, passando por uma ponte famosa por seus engarrafamentos.

"Algumas vezes eu estou tão cansado quando chego ao hospital que não consigo atender os pacientes", admite Varma.

Mesmo assim, o cirurgião e a oftalmologista não pensam em desistir.

Pelo contrário, o plano é expandir o hospital e construir mais um andar. Eles também aguardam resposta do governo, há mais de três anos, sobre um terreno não aproveitado de quatro mil metros quadrados para construir um hospital de 100 leitos para os pobres.

"Não vamos desistir. Nem tudo está perdido", diz Atul Varma.

Nota: Realmente, nem tudo está perdido. Sempre há algo que podemos fazer. Ninguém precisa sair montando hospitais pelo mundo, mas se você ajudar um idoso a comprar um medicamento, se ajudar alguém que pede um alimento, ou mesmo, se não tiver dinheiro, mas puder dar bons conselhos a um amigo, instruir alguém que esteja sem direção, já vai fazer a diferença. Influenciamos muito mais pessoas do que a gente mesmo pode imaginar. Uma famosa escritora cristã, chamada Ellen G. White diz o seguinte: "Se a juventude se torna num elevado modelo, tendo princípios puros e morais, e se misturado com isso houver afabilidade e cortesia cristã, haverá uma perfeição refinada ao caráter que abrirá o caminho em qualquer parte, e poderosa influência será revelada a favor da virtude, da temperança e da justiça" (Meditações Matinais: Minha consagração hoje).


Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2015/03/17/casal-de-medicos-abre-hospital-que-cobra-r-10-por-consulta-e-r-500-por-cirurgia.htm

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