quarta-feira, 11 de junho de 2014

Gente que Só “Enche Lingüiça”

Oi amigos =)
Alguma vez você já encontrou alguém que fala, fala e fala e mas não diz absolutamente nada? Pode ser um palestrante, com uma postura adequada, uma voz lindíssima, que não erre no bendito do português, mas quando você presta atenção no conteúdo, ou melhor na falta de conteúdo que esta pessoa transmite, falamos então que a pessoa “encheu de lingüiça”, que desespero. Entretanto, encher lingüiça não é algo tão incomum; atire a primeira pedra quem nunca fez isso pelo menos em uma redação de vestibular... eu confesso, eu já e muito mal feito. Millôr Fernandes (depois veja abaixo sua biografia) satiriza esta capacidade (se posso chamar assim) de escrever sem conteúdo algum utilizando o tema O Brasil. Confira!  





O Brasil
(Descrição física e política)


O Brasil é um país maior do que os menores e menor que os maiores. É um país grande, porque, medida sua extensão, verifica-se que não é pequeno. Divide-se em três zonas climatéricas absolutamente distintas: a primeira, a segunda e a terceira. Sendo que a segunda fica entre a primeira e a terceira. As montanhas são consideravelmente mais alta que as planícies, estando sempre acima do nível do mar. Há muitas diferenças entre as várias regiões geográficas do país, mas a mais importante é a principal. Na agricultura faz-se exclusivamente o cultivo de produtos vegetais, enquanto a pecuária especializa-se na canção de gado. A população é toda baseada no elemento humano, sendo que as pessoas não nascidas no país são, sem exceção, estrangeiras. Na indústria fabricam-se produtos industriais, sobretudo iguais e semelhantes, sem deixar-se de lado os diferentes. No campo da exploração dos minérios o país tem uma posição só inferior aos que lhe estão acima, sendo, porém, muito maior produtor do que países que não atingiram o seu nível. Pode-se mesmo dizer que, executando-se seus concorrentes, é o único produtor de minérios no mundo inteiro. Tão privilegiada é hoje, enfim, a situação do país, que os cientistas procuram apenas descobrir o que não está descoberto, deixando para a indústria tudo que já foi aprovado como industrializável e para o comércio tudo que é vendável. Na arte também não há ciência, reservando-se essa atividade exclusivamente para os artistas. Quanto aos escritores, são recrutados geralmente entre os intelectuais, é, enfim, o País do Futuro, sendo que este se aproxima a cada dia que passa.



MILLÔR FERNANDES (Milton Viola Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 19231 — 27 de março de 2012), mais conhecido como Millôr Fernandes, foi um desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor, e jornalista brasileiro.

Millôr foi um raro artista que obteve grande sucesso, de crítica e público, em todas as áreas em que se atreveu trabalhar. Ele, que se autodefinia um “escritor sem estilo”, começou no jornalismo em 1938, aos 15 anos, como contínuo e repaginador de “O Cruzeiro”, então uma pequena revista. Ele retornou à publicação em 1943 ao lado de Frederico Chateaubriand e a tornou um sucesso comercial. Lá, criou a famosa coluna “Pif-Paf”, que também teria desenhos seus.

fonte: G1.


2 comentários:

  1. Adorei esse texto!!!!!!!!!
    Falou e falou, não disse nada, mas fez com arte! rs
    Amei o blog, seguindo...
    Bjs, Lu
    http://resenhasdalu.blogspot.com.br/

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  2. Oi Evelyn, tudo bem??

    Achei genial o texto do Millôr Fernandes, é bem isso aí, falar, falar e não dizer nada. Confesso que já fiz muito isso, algumas vezes deu certo e outras não. Provas de história e geografia então, as vezes recebia o ponto inteiro da questão e outras recebia um zero bem redondo e cheio de ponto de interrogação na questão... enfim, não é sempre que dá bons resultados.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima
    http://vamosfalarlivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

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