quarta-feira, 4 de junho de 2014

Futebol adquire status de religião no Brasil

Estamos  há uma semana da abertura da tão esperada Copa no Brasil. Alguns protestam, outros festejam. Uns compram seus ingressos, outros cancelam suas passagens. Na realidade é que este evento será uma grande surpresa para mim, você e todos os brasileiros, sejam aqueles que trabalham por este evento, irão aos jogos ou aqueles que nem mesmo assistirão pela televisão. O evento em si já é um assunto polêmico, mas não nos esquecemos que nesta terra o futebol atinge um patamar ainda maior, o de religião. A Copa certamente passará, sendo boa ou não, o brasileiro continuará a encontrar motivos para adorar este esporte.

Michelson Borges, escritor, jornalista apresenta em seu blog Criacionismo como as empresas e suas estratégias de marketing apoiadas pela legislação brasileira estimula ainda mais esta mistura de religião com futebol; com um toque de deboche tudo fica ainda mais “divertido”.


Futebol adquire status de religião no Brasil


Diz a sabedoria [sic] popular que há três coisas que não devem ser discutidas, para se manter a paz em qualquer ambiente: política, religião e futebol. Infelizmente, os três assuntos parecem estar intimamente ligados uns aos outros, especialmente aqui o Brasil, onde para muitas pessoas o futebol é uma religião. Mais ou menos como mostra o comercial criado pela Grey para a Cerveja Foca. No Brasil, a Lei de Liberdade Religiosa permite que qualquer fiel saia em horário de trabalho para “professar seus credos”, desde que a religião seja reconhecida pelo governo brasileiro. Foi aí que, com a ajuda de um advogado, a Cerveja Foca resolveu oficializar em um cartório o futebol como a religião com mais seguidores no país – e a bebida quer se tornar sua água benta. Para facilitar a vida dos torcedores, digo, fiéis, a marca criou um site em que os usuários informam qual o jogo que querem assistir e quando. Na data, um e-mail é enviado à empresa, informando que a lei obriga o funcionário a ser dispensado. [...]


Nota: Que o futebol arregimenta legiões de fanáticos em nosso país, isso não é novidade. Mas o que essa cerveja e esse advogado fizeram é um absurdo total e uma tremenda falta de respeito para com aqueles que lutam para ter seus direitos religiosos preservados. É o tipo de reconhecimento (o do cartório) que só dá certo num país que debocha de tudo e não leva nada a sério. Em muitos países, liberdade religiosa (e de expressão, também) é conquistada a preço de sangue, mas no Brasil o assunto vira piada e estratégia demarketing. A campanha ironiza também um símbolo católico – a água benta –, comparando-o à cerveja. Como a maioria da população brasileira é católica, isso significa que a maioria dos aficionados por futebol e consumidores de cerveja pertence a essa denominação religiosa. Eles deveriam boicotar essa marca. Irreverência, desrespeito, deboche, comparações absurdas – é isso ou se apela para o lugar comum da mulher objeto. A cerveja Foca ficou com a primeira opção de desrespeito, e tenho a impressão de que, como sempre acontece, o povo ainda vai achar graça da piada de mau gosto. [MB]



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