quarta-feira, 9 de abril de 2014

O Desfecho do Príncipe Estrangeiro

O único príncipe da minha vida foi o Pequeno Príncipe. Tão pequeno em estatura e tão grande em amor em que as vezes me perguntava como poderia ser tão perfeito. Logo veio a resposta: por que ele é de papel, Evelyn... estes dias encontrei um de linha em resposta ao texto Moça Tecelã, de Marina Colasanti de um grande escritor. As vezes não precisa ser conhecido para ser grande, afinal uma das instituições que  convenciona se uma obra é clássica ou não é a Academia de Letras e ninguém de lá mora comigo, nem estuda ou viaja nos mesmo lugares que vou. Ou seja, não vê nem lê o que leio. Agora compartilho com vocês o príncipe de linha da moça tecelã, escrita pelo artista Del Vechio Cavalhieri. Você não o conhece? Prazer, ele estará nas próximas linhas, aproveite!


O Desfecho do Príncipe Estrangeiro
Del Vechio Cavalhieri

Após despertar de um sono profundo, seguido de uma noite viva e apaixonada com minha amada, fui surpreendido pela situação mais improvável que eu poderia imaginar. Eu a olhava em seus olhos e, apesar da culpa que encontrava na profundidade da sua íris cristalina pelas lágrimas que insistiam em brotar, ela não hesitava em fazer o que fazia. Parecia tão convicta.

Minha amada era uma tecelã. E com toda destreza das suas hábeis e delicadas mãos angelicais produziu toda sua felicidade. Uma paisagem alegre e viva. Um sol revigorante. Fauna. Flora. E por fim, me trouxe a vida. Ao ser criado não me contive de paixões e a arrematei para meus braços assim que pude. Desde então foram dias de amor infindável. E sonhávamos a dois com luxo, com os prazeres e confortos, frutos de sua capacidade incomensurável. Confesso que fui tomado pelo medo e pela hipótese de um dia perdê-la. Era uma joia tão rara e tão preciosa que a escondi do mundo. Fora um gesto egoísta, eu sei, mas com o intuito de que nosso romance fosse eterno. E nessa manhã eu acordava, desaparecendo pelo "desfiar" de suas mãos dedicadas. Aos poucos ela me desfazia. E eu não podia perguntar a ela o motivo de tudo aquilo, pois a primeira coisa que fizera fora desintegrar meus lábios para que não fosse tentada a cessar o que fazia, persuadida pelas minhas juras de amor. Mas não conteve a troca de olhares comigo. E pude ler nos olhos dela o conflito entre o amor e o medo. A dualidade da paixão e o desejo de ter-me por dias e noites para com sua aflição de ser aprisionada pela minha mesquinhez. Já a altura do meu peito, quase completamente desintegrado, senti o calor do seu toque novamente, por uma última vez. E ao contemplar a beleza do seu rosto imaculado, não me contive em pranto. Linhos deslizando pelos meus olhos. Lembranças tomaram minha mente. De dias de sol ao balanço no fundo de casa, preso ao grosso galho da árvore. E ela embalada no ritmo das brisas que vinham do leste. Com seu vestido branco de margaridas. Ou então, de passeios sob a chuva grossa de final de tarde. De noites enluaradas que ela tecia pra nos iluminar sobre a cama macia. Mas logo tudo se desvaneceu, quando “desfiava” minha mente. Fez questão de deixar meu coração por último, pra que eu a amasse até o último fio de linho.


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